quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Alguém especial


“Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.
Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.
Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.
Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.
Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.
Mas talvez isso tudo não seja suficiente.
Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.
Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.
Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.
Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.
Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.
É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.
Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.
Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar. 

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras na Revista Época)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Carta ao Antonio Prata


Caro Antonio,

Sou fiel leitora dos seus textos, mas só agora pude ler “Leitura dos pés” publicado no blog da Folha e  tenho que confessar que estas palavras sobre pés me deixaram bastante indignadas! Darei um desconto, pois atribuo sua opinião ao fato de que, provavelmente,  você nunca tenho feito os pés na vida, porém utilizo este espaço para me manifestar!

Voltando a velha máxima que diz: “não existe mulher feia, mas sim mulher pobre”, digo o mesmo sobre os pés! Não existem pés feios, mas sim pés pobres, meu caro Antonio. Você tem alguma ideia do que é preciso para manter os mais altos níveis estéticos em um pé contemporâneo???

A primeira opção seria ir a pedicure a cada 15 dias, somando um investimento anual de mais ou menos R$600,00. Parece simples, mas a questão é que devido aos baixíssimos índices de profissionalização da classe das esteticistas de cabeleireiros de bairro, depois de algumas tentativas de achar uma boa profissional, que não mutile as laterais de nossos queridos dedões, somos forçadas a partir para novas alternativas. Sempre na busca de manter os pés de princesa, tão importantes para nossos parceiros pés-maníacos!

E olhe o grau de estresse! Fazem uns anos em que começaram a traçar os riscos de contágio através de alicates e todos os outros instrumentos de trabalho das manicures. Logo, além dos 30 minutos de apreensão inerente ao processo, ainda somamos o medo de contrair algum tipo de hepatite ou qualquer vírus que possa aparecer, caso aquela pessoa não tenha tomado as devidas precauções com seu instrumental! Ou seja, aquela mulher que tinha apenas a função de te deixar mais bonita, agora tem sua vida nas mãos!!!

Pensando nisso, outra opção é gastar mais e partir para o universo dos podólogos. Aí pensamos: “Ah! Agora sim! Não mais terei os pés machucados, poderei seguir com minha rotina de corridas no parque, e calçar qualquer tipo de sapatos sem lembrar da super manicure de duas semanas atrás e ter minha saúde preservada!! Será um investimento anual de R$ 1800,00, mas vai valer a pena!”

Achei que teria o problema solucionado. Fiz uma pesquisa rápida e descobri um desses centros de podologia perto de casa. Embelezei os pés, paguei e me mandei para o Carnaval do Rio, feliz por me sentir linda da cabeça aos pés!! Com a relação de pisões no pé por bloco de carnaval, bastou 1 dia de folia para os cantos dos dedos inflamarem!

Não tenho claro quando foi que tive este insight. Pode ter sido no momento em que, sentada numa calçada carioca, olhava para meus amigos no bloco e para os meus pés latejando, bloco, pés, pés, bloco. Mas acho que foi aí que me dei conta de duas características que coincidem sempre neste tipo de profissional: a primeira é que eles, dentre todas as opções possíveis decidem se dedicar a cuidar de pés, o que já é estranho! E o outro fator, que é o problemático quando combinado ao primeiro, é que eles são do tipo obsessivos! Não deixam uma pelinha, uma unhinha, uma cuticulinha, nada!!! Ainda não encontrei a pedicure do tipo profilática que me diga: “Vamos deixar um pouco de calo para proteger seus pés quando corre e assim evitar as bolhas”, ou simplesmente “não vou cutucar mais os cantinhos, pois não vamos arriscar que inflamem e te causem incomodo!” Enfim...

Mas concordo com você quando diz que a leitura dos pés não falha. Os meus contam varias histórias sobre mim: que eu não gosto de pedicures nem podólogos, que pratico corrida e passei anos dançando flamenco, uso salto alto no trabalho, inclusive desde que decidi optar pelo transporte público ainda caminho uns bons metros a pé, de casa até  o ponto de ônibus. E me desculpem os que não gostam de pés com calos, bolhas, pouco delicados, mas os meus continuarão assim! 

Um abraço e obrigada pelos bons momentos de leitura!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O amor bom é facinho

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade? 

Eu suspeito que não. 

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói. 

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo? 

Minha experiência sugere o contrário. 

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas. 

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado. 

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos? 

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer? 

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir? 

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios. 

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio? 

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada. 
  
  

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras na Revista Época)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pensamentos sobre os foras e a ética


Nessa pesquisa de campo que é a vida de uma pessoa solteira acontece assim: o tempo vai passando, a experiência vai se acumulando, assim como o número de, digamos, “entrevistados”! Pois bem, todos já sabemos que esta vaga não será preenchida por qualquer um, o que gera alguns inconvenientes.

Tais inconvenientes não existiriam se eu pudesse, como fazem algumas empresas, enviar uma destas cartas padrão, assinadas pelo diretor do departamento (no caso eu mesma) dizendo: “obrigada por participar do processo de seleção, mas a vaga já foi preenchida. Manteremos seu currículo conosco e entraremos em contato caso necessário.” Como ainda não sou capaz de tal façanha estou refletindo sobre qual seria a melhor forma de avisar aos candidatos que o perfil deles não se encaixa na vaga.

Dependendo do grau em que está a relação ainda é possível sair pela tangente até ele desistir, utilizando, ou melhor, finalizando mensagens com frases do tipo: “a gente se vê…”, “vamos marcar qualquer dia desses…” ou “a gente vai se falando…”. Na verdade, os gerúndios e os foras são primos irmãos!

Mas para piorar a minha situação, numa consultoria que fiz com um amigo do sexo oposto, fui informada que os caras não funcionam a base de indiretas. Isso de pensar que só porque não atendemos as últimas cinco ligações ele vai “perceber” que não estamos a fim não é eficaz e minha experiência tem provado que de fato não é. Mas isso vale para nós mulheres também. Funciona igual. É duro aceitar, mas o silêncio diz muito.

Para deixar a coisa menos pessoal me aconselharam o fora com ajuda do Excel. Foi o fora mais racional que vi até agora. Você faz uma planilha com as características ideais de uma pessoa (ser que obviamente não existe) e vai preenchendo com as características  reais do gatinho do momento. Caso a pessoa não se acerque ao seu ideal você pode anexar a planilha e mandar dizendo que não é nada pessoal, apenas não é o que você esta procurando! Dá até para mandar com uma analise, tipo: “você é introvertido demais, gosto musical abaixo do esperado e é ruivo, mas nada pessoal, hein?!”

Me pergunto porque é tão penoso dar o fora em alguém, a ponto de utilizarmos técnicas tão baixas como, por exemplo, sumir! É fato que não é agradável ser portador de más noticias, mas sinceramente tenho, pelo menos alguma consciência de que não sou, nem a melhor, nem a última mulher do planeta, que possivelmente o cara deve ter outra gata na manga e que já não se morre de desilusão amorosa.

Como a situação é difícil mesmo, mas estou a fim a ajudar a construir um mundo mais ético, cheguei a alguns parâmetros para desenvolver o melhor fora possível:

1. Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você, como desaparecer da face de Terra, por exemplo! Mas eu fico tranqüila porque um ato covarde como esse não poderia vir de uma pessoa muito bacana! Tchau!!
2. O fora pode ser sincero. Não vale dizer que se mudou para Mogi ou que esta namorando outra pessoa já que mentira tem perna curta e o índice de coincidências esta muito alto para arriscar uma mentira!
3. E honestidade com moderação! Não prego o extremismo. Verdade sem ofender, claro. Não vale dizer coisas do tipo, você beija mal, tem bafo e não passou na triagem!
4. Não precisa dar explicações detalhadas. Agir com neutralidade, a final não cabe dar satisfações a uma pessoa que esta sendo convidada a se retirar de campo.
5. Mas, principalmente, o fora tem que ser eficiênte, assertivo, ou seja, que não deixe margem de dúvida.
6. E para finalizar, se possível, que seja com um toque de humor para quebrar o clima no final.

Cabe uma observação: a postura do outro é fundamental para um bom desfecho! Um bom fora também se faz a dois!

 Dar e levar foras faz parte da vida e estar em ambas as posições tem prós e contras. Acho que o importante é ter um balanço. Isso mesmo! Acho imprescindível vivenciar com alguma freqüência os dois papéis, pois a memória é curta quando não interessa!

Quando damos um fora ético em alguém aprendemos a olhar e a lidar com o outro, enfrentar situações que implicam em diversos níveis de valentia, nos obrigamos a refletir sobre o que queremos e porque nos metemos em certas situações. Além disso temos mais uma chance de perceber que o outro não é responsabilidade nossa. Cada um que procure o seu analista!

Quando recebemos um fora descemos do pedestal. Num primeiro momento ficamos devastados, desolados, mas como já dizia o amigo da Mi, o imperador Marco Aurélio (século II) em suas Meditações: "tudo aquilo que você vê agora mudará dentro de um instante e em seguida não mais existirá." Experiência importantíssima para provar que não morreremos disso, para aprender a dar um ponto final em expectativas e sonhos sem perspectiva e virar a página, de forma cada vez mais eficiente.

Como não está em nossas mãos, o negócio é torcer por um equilíbrio saudável entre dar e levar foras (de preferência dar um pouquinho mais que levar), mas seja lá o que vier pela frente repito o que disse a pouco a um ex-futuro: é sempre bom tirar o coração do armário!

Olivia Mattos

sábado, 21 de maio de 2011

Foi quase sem querer

Foi quase sem querer
que eu percebi
que alguma coisa não ia bem.
Nem havia motivo para mudar a cor do céu e do mar.
Azul sempre foi e vai ser
a minha cor preferida.
O sol continua brilhando,
o mar está morno.
Um clima perfeito.
Um lindo dia de verão.
Ninguém vai entender,
muitos vão duvidar,
mas falta o vento...
Aquele vento gostoso que bate no rosto
e desperta o coração
para o que existe além do horizonte.
Aquela falta de paz, aquele desassossego
que incomoda e ao mesmo tempo reaviva,
te leva para mais longe, te empurra
para um lugar que você ainda não viu.
Não quero mais o mar tão calmo assim.
Quero sentir as ondas no meu rosto me dizendo:
“Aproveite a vida!”
Quero não ter paradeiro nem destino.
Quero ser diferente, transformar o mundo.
Quero sofrer por amor.

(Autor desconhecido)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A primeira manhã



Ela dormia.

Até que foi despertada pela manhã. Mais precisamente pelos primeiros raios de sol, que se espremiam pela pequena fresta da janela, propositalmente esquecida aberta.

Ainda não se podia prever o poder do brilho e da luz ainda branca, ainda de pouca intensidade,  que invadiam todo quarto.

As mudanças eram imediatas e autoritárias. Sem consultar ninguém, ao passar de um segundo, a noite virou dia e já não havia volta atrás.

E em poucos minutos os raios perigosamente ganhavam calor. O que ofuscava os olhos agora acariciava a pele com um toque morno e suave.

O despertar foi completo. Os cinco sentidos curiosamente investigavam o mundo. O brilho iluminava os olhos, o calor no corpo, o cheiro da manhã que era a química perfeita entre frescor e café, e que num vacilo da racionalidade ou talvez alucinação, traziam gosto à boca. Sim, era uma alucinação, pois em sua mente também havia música.

O sol, poderoso, continuava lá fora, mas seu acordo era com o tempo, que implacável, não parava de correr. Água que escorre por entre os dedos.

O prazer dá boas-vindas a angústia e a memória lhe trai. Já não é capaz de lembrar-se ou compreender em que momento se entregou.

Entre o sonho e a realidade, ela sai da cama a procura de algo que já não sabe bem o que é.


    Olivia Mattos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Só uma piadinha....

João pergunta a Maria:


     — Maria, quer se casar comigo?


     — Não!


E eles viveram felizes para sempre!