Caro Antonio,
Sou fiel leitora dos seus textos, mas só agora pude ler “Leitura dos pés” publicado no blog da Folha e tenho que confessar que estas palavras sobre pés me deixaram bastante indignadas! Darei um desconto, pois atribuo sua opinião ao fato de que, provavelmente, você nunca tenho feito os pés na vida, porém utilizo este espaço para me manifestar!
Voltando a velha máxima que diz: “não existe mulher feia, mas sim mulher pobre”, digo o mesmo sobre os pés! Não existem pés feios, mas sim pés pobres, meu caro Antonio. Você tem alguma ideia do que é preciso para manter os mais altos níveis estéticos em um pé contemporâneo???
A primeira opção seria ir a pedicure a cada 15 dias, somando um investimento anual de mais ou menos R$600,00. Parece simples, mas a questão é que devido aos baixíssimos índices de profissionalização da classe das esteticistas de cabeleireiros de bairro, depois de algumas tentativas de achar uma boa profissional, que não mutile as laterais de nossos queridos dedões, somos forçadas a partir para novas alternativas. Sempre na busca de manter os pés de princesa, tão importantes para nossos parceiros pés-maníacos!
E olhe o grau de estresse! Fazem uns anos em que começaram a traçar os riscos de contágio através de alicates e todos os outros instrumentos de trabalho das manicures. Logo, além dos 30 minutos de apreensão inerente ao processo, ainda somamos o medo de contrair algum tipo de hepatite ou qualquer vírus que possa aparecer, caso aquela pessoa não tenha tomado as devidas precauções com seu instrumental! Ou seja, aquela mulher que tinha apenas a função de te deixar mais bonita, agora tem sua vida nas mãos!!!
Pensando nisso, outra opção é gastar mais e partir para o universo dos podólogos. Aí pensamos: “Ah! Agora sim! Não mais terei os pés machucados, poderei seguir com minha rotina de corridas no parque, e calçar qualquer tipo de sapatos sem lembrar da super manicure de duas semanas atrás e ter minha saúde preservada!! Será um investimento anual de R$ 1800,00, mas vai valer a pena!”
Achei que teria o problema solucionado. Fiz uma pesquisa rápida e descobri um desses centros de podologia perto de casa. Embelezei os pés, paguei e me mandei para o Carnaval do Rio, feliz por me sentir linda da cabeça aos pés!! Com a relação de pisões no pé por bloco de carnaval, bastou 1 dia de folia para os cantos dos dedos inflamarem!
Não tenho claro quando foi que tive este insight. Pode ter sido no momento em que, sentada numa calçada carioca, olhava para meus amigos no bloco e para os meus pés latejando, bloco, pés, pés, bloco. Mas acho que foi aí que me dei conta de duas características que coincidem sempre neste tipo de profissional: a primeira é que eles, dentre todas as opções possíveis decidem se dedicar a cuidar de pés, o que já é estranho! E o outro fator, que é o problemático quando combinado ao primeiro, é que eles são do tipo obsessivos! Não deixam uma pelinha, uma unhinha, uma cuticulinha, nada!!! Ainda não encontrei a pedicure do tipo profilática que me diga: “Vamos deixar um pouco de calo para proteger seus pés quando corre e assim evitar as bolhas”, ou simplesmente “não vou cutucar mais os cantinhos, pois não vamos arriscar que inflamem e te causem incomodo!” Enfim...
Mas concordo com você quando diz que a leitura dos pés não falha. Os meus contam varias histórias sobre mim: que eu não gosto de pedicures nem podólogos, que pratico corrida e passei anos dançando flamenco, uso salto alto no trabalho, inclusive desde que decidi optar pelo transporte público ainda caminho uns bons metros a pé, de casa até o ponto de ônibus. E me desculpem os que não gostam de pés com calos, bolhas, pouco delicados, mas os meus continuarão assim!
Um abraço e obrigada pelos bons momentos de leitura!