sábado, 30 de abril de 2011

Casar no bloco também vale a pena

Querida Maíra, obrigada pela contribuição!
Percebo que, pouco a pouco, estamos conseguindo criar aqui um lugar de múltiplos olhares sobre o assunto...essa era mesmo a ideia!

Aproveitem a leitura!

Olivia Mattos




Casar no bloco talvez seja a modalidade de relacionamento mais adequada aos tempos pós-modernos. Pressupõe total liberdade aliada a abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim, mas, sobretudo, a uma pretensa identificação. A tal ponto de você achar, por breves instantes, que encontrou o amor da sua vida, a tampa da sua panela, a metade da sua laranja, enfim, todas essas baboseiras que depositam no outro aquilo que você acha que não tem.

Normalmente, a pessoa escolhida exibe, rapidamente, características suficientes para ser “a escolhida” entre a pluralidade de ofertas encontradas no bloco. Vocês podem viver um momento mágico, intenso, especial. No entanto, se ele, ou ela, não pedir o seu telefone, ou não ligar  - ainda que tenha anotado o número - não se preocupe. Casar no bloco exige total entrega e nenhuma cobrança. A máxima “dar sem esperar nada em troca” ganha todo sentido e, se a pessoa não te procurou, não vale começar uma busca desesperada no facebook. Até porque você pode se deparar com informações desagradáveis, como descobrir que ela é casada, mora em Londres ou tem interesses e opiniões totalmente distintos dos seus. E se for homofóbico ou votar naquele político deplorável? Já pensou?

Portanto, às vezes é melhor eternizar o instante em que você acreditou ter encontrado o amor dos seus sonhos; sem cobranças, nem expectativas.

A combinação de dois conceitos aparentemente antagônicos explica porque “casar no bloco” pode ser tão saudável e inovador. “Bloco” remete ao carnaval, à aglomeração de algumas pessoas, embaladas pela música, algumas vezes pelo álcool e, quase sempre, pelo descompromisso. Isso não impede que casais tradicionais (aqueles da igreja, do véu e da grinalda) aproveitem igualmente a euforia carnavalesca. Mas as chances de vivenciar situações desconfortáveis são grandes. Você pode estar fantasiada de juíza de futebol e algum engraçadinho pedir pênalti, ou ele pode sair por aí dançando “adocica” e alguma beldade se encantar pelo charme do Beto-Barbosa-Cover-de-Pochete. As possibilidades do carnaval terminar em briga e mal-humor são infinitas.

Por isso, viajar para alguma praia distante e passar a tarde jogando frescobol é mais recomendável. E isso resume muito bem a essência do “casamento”: disfrutar da companhia alheia, de preferência longe de muitos atrativos visuais do sexo oposto (ou do mesmo sexo), em lugar onde haja boa comida, bons lençois (ou uma linda vista que justifique acampar) e, claro, as raquetes de frescobol! Para os menos esportivos, cartas de baralho, livros de política e uma boa garrafa de vinho também valem. Não quero parecer irônica ou insinuar que o casamento é uma grande chatice. Pelo contrário, sei da beleza que existe nesta forma de relacionar-se. Até porque, já a vivenciei intensamente. Sei o que é compartilhar o silêncio e estar feliz pela simples presença de outra pessoa. Mas isso acontece - de forma genuína - apenas algumas vezes na vida. Se não só uma vez...

Por isso, enquanto esse momento não chega, casemos no bloco. Vale muito a pena! Sentir, ainda que por breves momentos, o aconchego do abraço, o olhar apaixonado, a leveza das  mãos dadas... Pode durar um minuto, mas quem disse que a intensidade de um sentimento se mede pela sua duração? O carnaval já passou, mas as grandes cidades como São Paulo oferecem alternativas o tempo todo!
E, acredite, se o “casar no bloco” for intenso o bastante, pode transcender a efemeridade e converter-se em amor eterno. Pelo menos enquanto dure, ou até o próximo carnaval!

Maíra Sanchez

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Valor de Ser Só

O bom de publicar ideias é receber respostas! Elas enriquecem, acrescentam e nos contam um pouco sobre o outro lado! Aqui vão algumas ideias de um solteiro de carteirinha! 
Meninas! Escutem com atenção e saquem suas próprias conclusões.


Olivia Mattos
                                                                                                                                                    

Adaptei originalmente de um texto recebido por email, para expôr, de maneira sincera, algo que é deliberadamente meu pensar. Um homem comum e sua busca.

"Andei pensando no valor de ser só. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas ou maridos para os outros. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.

Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de não casar. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”.

Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor, eu o descubro de outros modos.

Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.

Esta opção de vida não me foi imposta, ninguém me obrigou. Eu assumi livremente todas as possibilidades da minha solidão, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.

Faço uso da minha sensibilidade, para tentar identificar, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha vida de solteiro.
Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo. Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou o encontro frutuoso, o amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer.

Pergunte-se sempre: – É de livre e espontânea vontade que o fazes? – É simples.

Ninguém está livre das obrigações do amor, mas a fidelidade a si próprio é o rosto mais sincero de nossas predileções."

ps. Ao perguntar se deveria referenciar o autor, uma amiga me disse: "de jeito nenhum... não revele o autor, pq as palavras são suas, que sairam da boca de outra pessoa, coisa mais doida."
                                                                                                                                                                              Peter Pão

terça-feira, 12 de abril de 2011

Quem tem azar é azarado, quem tem sorte é SORTERO!!!


Um leitor recém chegado pode achar que este blog é um lugar de apologias ao solteirismo e que eu, Olivia, devo abominar qualquer tipo de relacionamentos estáveis, mas uma leitura mais atenta provará que não é este o intuito. Posso resumir a proposta do blog como sendo um projeto pessoal, uma forma de me auto ajudar a não entrar em relacionamentos furados e se puder ajudar algumas amigas e amigos, missão mais que cumprida! 

Tenho exercitado a minha capacidade de dizer a verdade, principalmente nas horas mais difíceis. Por isso terei que admitir que este titulo não passa de uma pegadinha! É polemico e achei que daria ibope! Pior ainda! Foi re-plagiado de um amigo que, por sua vez, plagiou um autor não identificado! Não que esteja desconectado do conteúdo do texto, mas não vai exatamente pelo mesmo caminho. Feitas estas colocações, passarei para as advertências!

Primeira: para os que gostaram do titulo, tenho a infeliz noticia de que já atingiram com isso a sua cota de prazer por hoje. Por tanto, os que tomarem a decisão de seguir lendo considerem-se avisados para não dizerem por aí que faço propagando enganosa!

Segunda: os que acharam o título uma piada engraçadinha, mas de mal gosto, podem ficar tranqüilos que daqui para frente estarão mais satisfeitos com meus comentários. 

Terceira: este texto não é um recado para ninguém específico, mas se a carapuça servir...

Então, comecemos!

Na verdade acho que vincular a felicidade ou ideias de sorte ou azar, ao estado de disponibilidade (lembrem-se que abolimos no ultimo texto o conceito de estado civil) um grave equivoco. Inclusive, estou um pouco ranzinza hoje e vou dizer! Acho chatérrimas aquelas pessoas que acham que ter ou não ter par é determinante para estar de bem consigo mesmas! As situações clichês são: os homens levantando a bandeira da solteirice e as mulheres buscando suas almas-gemeas. Perdôo os dias de carência e domingos frios e chuvosos. Nesses dias, de fato, alguém ao lado é determinante para atingir graus mais altos de satisfação! E também perdôo a semana de carnaval porque estar solteira é, sem dúvida,  bem mais divertido!

Mas, em geral, acho que todas as formas em extremo são prejudiciais a saúde, ou de saúde (mental) prejudicada? Acho tão complicado como as pessoas que não tem a capacidade de estar só, aquelas pessoas que não são capazes de se entregar a um relacionamento. Hoje quero tocar um pouco neste último tema.

Bom, a esta altura vocês já devem ter percebido que discordo plenamente da frase do titulo e digo mais;
Desculpem, mas não acredito nos “solteiros convictos”! Conhecem? São essas pessoas que vão chegando numa certa idade e resolvem se auto intitular “solteiros por opção”. Parece um fenômeno esquisito, mas todo mundo tem um amigo, parente ou pior, um gatinho assim por perto.

Não sabem  ainda? Exemplos: são os que dizem, “oi, muito prazer. Me chamo fulano e, oh! Não tenho a intenção de namorar e muito menos de me casar!" E repetem: "nunca, viu?!" Caso você não tenha entendido na primeira… Aí resolvem comprar apartamento, de 1 quarto, claro! E se tem 2, resolvem rapidinho quebrar a parede para “ganhar mais espaço”, fazendo de tudo para garantir que nenhum, ou nenhuma sem-teto monte acampamento em sua propriedade. Um amigo meu até cogitou instalar uma banheira no meio da sala! Aí virou Motel, né?! Tomara que ele tenha desistido!

São pessoas com uma habilidade ímpar de conseguir estar acompanhadas e sozinhas ao mesmo tempo. Esbanjam em variedade e são extremamente carentes de recursos para construir uma parceria com alguém.

Podem falar com ímpeto, segurança, afirmar e reafirmar quantas vezes quiserem que são contra relacionamentos estáveis, mas tem algo nesse discurso que escapa. É como um discurso político que a maioria das vezes é vazio e mentiroso. Não digo mentira sem escrúpulos, mas aquela mentirinha por inércia, por inabilidade, insegurança e por sofrimento. Claro, seja antiga ou recente, é sempre a dor.

Consequência: eles jogam na defesa e o outro time parte para o ataque, mas difícil é sair gol nesta partida. É a lei da natureza, a balança afrouxa de um lado e acaba pesando para o outro! E são as mulheres que levaram a fama de estar caçando marido por aí! De pressioná-los, como se a mulher de hoje ainda fosse aquela criada e educada para dedicar-se ao lar! Ou a eles? Ai que preguiça!

Tenho a desconfiança de que nós, homens e mulheres, ainda não nos adaptamos ao novo modus operandi contemporâneo no que diz respeito a relacionamentos, mas acredito que a natureza, mesmo a humana, tende a buscar a harmonia e o equilíbrio. Talvez seja uma questão de tempo.


                                                                                                                                               Olivia Mattos