quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Alguém especial


“Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.
Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.
Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.
Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.
Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.
Mas talvez isso tudo não seja suficiente.
Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.
Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.
Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.
Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.
Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.
É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.
Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.
Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar. 

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras na Revista Época)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Carta ao Antonio Prata


Caro Antonio,

Sou fiel leitora dos seus textos, mas só agora pude ler “Leitura dos pés” publicado no blog da Folha e  tenho que confessar que estas palavras sobre pés me deixaram bastante indignadas! Darei um desconto, pois atribuo sua opinião ao fato de que, provavelmente,  você nunca tenho feito os pés na vida, porém utilizo este espaço para me manifestar!

Voltando a velha máxima que diz: “não existe mulher feia, mas sim mulher pobre”, digo o mesmo sobre os pés! Não existem pés feios, mas sim pés pobres, meu caro Antonio. Você tem alguma ideia do que é preciso para manter os mais altos níveis estéticos em um pé contemporâneo???

A primeira opção seria ir a pedicure a cada 15 dias, somando um investimento anual de mais ou menos R$600,00. Parece simples, mas a questão é que devido aos baixíssimos índices de profissionalização da classe das esteticistas de cabeleireiros de bairro, depois de algumas tentativas de achar uma boa profissional, que não mutile as laterais de nossos queridos dedões, somos forçadas a partir para novas alternativas. Sempre na busca de manter os pés de princesa, tão importantes para nossos parceiros pés-maníacos!

E olhe o grau de estresse! Fazem uns anos em que começaram a traçar os riscos de contágio através de alicates e todos os outros instrumentos de trabalho das manicures. Logo, além dos 30 minutos de apreensão inerente ao processo, ainda somamos o medo de contrair algum tipo de hepatite ou qualquer vírus que possa aparecer, caso aquela pessoa não tenha tomado as devidas precauções com seu instrumental! Ou seja, aquela mulher que tinha apenas a função de te deixar mais bonita, agora tem sua vida nas mãos!!!

Pensando nisso, outra opção é gastar mais e partir para o universo dos podólogos. Aí pensamos: “Ah! Agora sim! Não mais terei os pés machucados, poderei seguir com minha rotina de corridas no parque, e calçar qualquer tipo de sapatos sem lembrar da super manicure de duas semanas atrás e ter minha saúde preservada!! Será um investimento anual de R$ 1800,00, mas vai valer a pena!”

Achei que teria o problema solucionado. Fiz uma pesquisa rápida e descobri um desses centros de podologia perto de casa. Embelezei os pés, paguei e me mandei para o Carnaval do Rio, feliz por me sentir linda da cabeça aos pés!! Com a relação de pisões no pé por bloco de carnaval, bastou 1 dia de folia para os cantos dos dedos inflamarem!

Não tenho claro quando foi que tive este insight. Pode ter sido no momento em que, sentada numa calçada carioca, olhava para meus amigos no bloco e para os meus pés latejando, bloco, pés, pés, bloco. Mas acho que foi aí que me dei conta de duas características que coincidem sempre neste tipo de profissional: a primeira é que eles, dentre todas as opções possíveis decidem se dedicar a cuidar de pés, o que já é estranho! E o outro fator, que é o problemático quando combinado ao primeiro, é que eles são do tipo obsessivos! Não deixam uma pelinha, uma unhinha, uma cuticulinha, nada!!! Ainda não encontrei a pedicure do tipo profilática que me diga: “Vamos deixar um pouco de calo para proteger seus pés quando corre e assim evitar as bolhas”, ou simplesmente “não vou cutucar mais os cantinhos, pois não vamos arriscar que inflamem e te causem incomodo!” Enfim...

Mas concordo com você quando diz que a leitura dos pés não falha. Os meus contam varias histórias sobre mim: que eu não gosto de pedicures nem podólogos, que pratico corrida e passei anos dançando flamenco, uso salto alto no trabalho, inclusive desde que decidi optar pelo transporte público ainda caminho uns bons metros a pé, de casa até  o ponto de ônibus. E me desculpem os que não gostam de pés com calos, bolhas, pouco delicados, mas os meus continuarão assim! 

Um abraço e obrigada pelos bons momentos de leitura!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O amor bom é facinho

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade? 

Eu suspeito que não. 

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói. 

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo? 

Minha experiência sugere o contrário. 

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas. 

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado. 

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos? 

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer? 

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir? 

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios. 

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio? 

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada. 
  
  

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras na Revista Época)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pensamentos sobre os foras e a ética


Nessa pesquisa de campo que é a vida de uma pessoa solteira acontece assim: o tempo vai passando, a experiência vai se acumulando, assim como o número de, digamos, “entrevistados”! Pois bem, todos já sabemos que esta vaga não será preenchida por qualquer um, o que gera alguns inconvenientes.

Tais inconvenientes não existiriam se eu pudesse, como fazem algumas empresas, enviar uma destas cartas padrão, assinadas pelo diretor do departamento (no caso eu mesma) dizendo: “obrigada por participar do processo de seleção, mas a vaga já foi preenchida. Manteremos seu currículo conosco e entraremos em contato caso necessário.” Como ainda não sou capaz de tal façanha estou refletindo sobre qual seria a melhor forma de avisar aos candidatos que o perfil deles não se encaixa na vaga.

Dependendo do grau em que está a relação ainda é possível sair pela tangente até ele desistir, utilizando, ou melhor, finalizando mensagens com frases do tipo: “a gente se vê…”, “vamos marcar qualquer dia desses…” ou “a gente vai se falando…”. Na verdade, os gerúndios e os foras são primos irmãos!

Mas para piorar a minha situação, numa consultoria que fiz com um amigo do sexo oposto, fui informada que os caras não funcionam a base de indiretas. Isso de pensar que só porque não atendemos as últimas cinco ligações ele vai “perceber” que não estamos a fim não é eficaz e minha experiência tem provado que de fato não é. Mas isso vale para nós mulheres também. Funciona igual. É duro aceitar, mas o silêncio diz muito.

Para deixar a coisa menos pessoal me aconselharam o fora com ajuda do Excel. Foi o fora mais racional que vi até agora. Você faz uma planilha com as características ideais de uma pessoa (ser que obviamente não existe) e vai preenchendo com as características  reais do gatinho do momento. Caso a pessoa não se acerque ao seu ideal você pode anexar a planilha e mandar dizendo que não é nada pessoal, apenas não é o que você esta procurando! Dá até para mandar com uma analise, tipo: “você é introvertido demais, gosto musical abaixo do esperado e é ruivo, mas nada pessoal, hein?!”

Me pergunto porque é tão penoso dar o fora em alguém, a ponto de utilizarmos técnicas tão baixas como, por exemplo, sumir! É fato que não é agradável ser portador de más noticias, mas sinceramente tenho, pelo menos alguma consciência de que não sou, nem a melhor, nem a última mulher do planeta, que possivelmente o cara deve ter outra gata na manga e que já não se morre de desilusão amorosa.

Como a situação é difícil mesmo, mas estou a fim a ajudar a construir um mundo mais ético, cheguei a alguns parâmetros para desenvolver o melhor fora possível:

1. Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você, como desaparecer da face de Terra, por exemplo! Mas eu fico tranqüila porque um ato covarde como esse não poderia vir de uma pessoa muito bacana! Tchau!!
2. O fora pode ser sincero. Não vale dizer que se mudou para Mogi ou que esta namorando outra pessoa já que mentira tem perna curta e o índice de coincidências esta muito alto para arriscar uma mentira!
3. E honestidade com moderação! Não prego o extremismo. Verdade sem ofender, claro. Não vale dizer coisas do tipo, você beija mal, tem bafo e não passou na triagem!
4. Não precisa dar explicações detalhadas. Agir com neutralidade, a final não cabe dar satisfações a uma pessoa que esta sendo convidada a se retirar de campo.
5. Mas, principalmente, o fora tem que ser eficiênte, assertivo, ou seja, que não deixe margem de dúvida.
6. E para finalizar, se possível, que seja com um toque de humor para quebrar o clima no final.

Cabe uma observação: a postura do outro é fundamental para um bom desfecho! Um bom fora também se faz a dois!

 Dar e levar foras faz parte da vida e estar em ambas as posições tem prós e contras. Acho que o importante é ter um balanço. Isso mesmo! Acho imprescindível vivenciar com alguma freqüência os dois papéis, pois a memória é curta quando não interessa!

Quando damos um fora ético em alguém aprendemos a olhar e a lidar com o outro, enfrentar situações que implicam em diversos níveis de valentia, nos obrigamos a refletir sobre o que queremos e porque nos metemos em certas situações. Além disso temos mais uma chance de perceber que o outro não é responsabilidade nossa. Cada um que procure o seu analista!

Quando recebemos um fora descemos do pedestal. Num primeiro momento ficamos devastados, desolados, mas como já dizia o amigo da Mi, o imperador Marco Aurélio (século II) em suas Meditações: "tudo aquilo que você vê agora mudará dentro de um instante e em seguida não mais existirá." Experiência importantíssima para provar que não morreremos disso, para aprender a dar um ponto final em expectativas e sonhos sem perspectiva e virar a página, de forma cada vez mais eficiente.

Como não está em nossas mãos, o negócio é torcer por um equilíbrio saudável entre dar e levar foras (de preferência dar um pouquinho mais que levar), mas seja lá o que vier pela frente repito o que disse a pouco a um ex-futuro: é sempre bom tirar o coração do armário!

Olivia Mattos

sábado, 21 de maio de 2011

Foi quase sem querer

Foi quase sem querer
que eu percebi
que alguma coisa não ia bem.
Nem havia motivo para mudar a cor do céu e do mar.
Azul sempre foi e vai ser
a minha cor preferida.
O sol continua brilhando,
o mar está morno.
Um clima perfeito.
Um lindo dia de verão.
Ninguém vai entender,
muitos vão duvidar,
mas falta o vento...
Aquele vento gostoso que bate no rosto
e desperta o coração
para o que existe além do horizonte.
Aquela falta de paz, aquele desassossego
que incomoda e ao mesmo tempo reaviva,
te leva para mais longe, te empurra
para um lugar que você ainda não viu.
Não quero mais o mar tão calmo assim.
Quero sentir as ondas no meu rosto me dizendo:
“Aproveite a vida!”
Quero não ter paradeiro nem destino.
Quero ser diferente, transformar o mundo.
Quero sofrer por amor.

(Autor desconhecido)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A primeira manhã



Ela dormia.

Até que foi despertada pela manhã. Mais precisamente pelos primeiros raios de sol, que se espremiam pela pequena fresta da janela, propositalmente esquecida aberta.

Ainda não se podia prever o poder do brilho e da luz ainda branca, ainda de pouca intensidade,  que invadiam todo quarto.

As mudanças eram imediatas e autoritárias. Sem consultar ninguém, ao passar de um segundo, a noite virou dia e já não havia volta atrás.

E em poucos minutos os raios perigosamente ganhavam calor. O que ofuscava os olhos agora acariciava a pele com um toque morno e suave.

O despertar foi completo. Os cinco sentidos curiosamente investigavam o mundo. O brilho iluminava os olhos, o calor no corpo, o cheiro da manhã que era a química perfeita entre frescor e café, e que num vacilo da racionalidade ou talvez alucinação, traziam gosto à boca. Sim, era uma alucinação, pois em sua mente também havia música.

O sol, poderoso, continuava lá fora, mas seu acordo era com o tempo, que implacável, não parava de correr. Água que escorre por entre os dedos.

O prazer dá boas-vindas a angústia e a memória lhe trai. Já não é capaz de lembrar-se ou compreender em que momento se entregou.

Entre o sonho e a realidade, ela sai da cama a procura de algo que já não sabe bem o que é.


    Olivia Mattos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Só uma piadinha....

João pergunta a Maria:


     — Maria, quer se casar comigo?


     — Não!


E eles viveram felizes para sempre!



sábado, 30 de abril de 2011

Casar no bloco também vale a pena

Querida Maíra, obrigada pela contribuição!
Percebo que, pouco a pouco, estamos conseguindo criar aqui um lugar de múltiplos olhares sobre o assunto...essa era mesmo a ideia!

Aproveitem a leitura!

Olivia Mattos




Casar no bloco talvez seja a modalidade de relacionamento mais adequada aos tempos pós-modernos. Pressupõe total liberdade aliada a abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim, mas, sobretudo, a uma pretensa identificação. A tal ponto de você achar, por breves instantes, que encontrou o amor da sua vida, a tampa da sua panela, a metade da sua laranja, enfim, todas essas baboseiras que depositam no outro aquilo que você acha que não tem.

Normalmente, a pessoa escolhida exibe, rapidamente, características suficientes para ser “a escolhida” entre a pluralidade de ofertas encontradas no bloco. Vocês podem viver um momento mágico, intenso, especial. No entanto, se ele, ou ela, não pedir o seu telefone, ou não ligar  - ainda que tenha anotado o número - não se preocupe. Casar no bloco exige total entrega e nenhuma cobrança. A máxima “dar sem esperar nada em troca” ganha todo sentido e, se a pessoa não te procurou, não vale começar uma busca desesperada no facebook. Até porque você pode se deparar com informações desagradáveis, como descobrir que ela é casada, mora em Londres ou tem interesses e opiniões totalmente distintos dos seus. E se for homofóbico ou votar naquele político deplorável? Já pensou?

Portanto, às vezes é melhor eternizar o instante em que você acreditou ter encontrado o amor dos seus sonhos; sem cobranças, nem expectativas.

A combinação de dois conceitos aparentemente antagônicos explica porque “casar no bloco” pode ser tão saudável e inovador. “Bloco” remete ao carnaval, à aglomeração de algumas pessoas, embaladas pela música, algumas vezes pelo álcool e, quase sempre, pelo descompromisso. Isso não impede que casais tradicionais (aqueles da igreja, do véu e da grinalda) aproveitem igualmente a euforia carnavalesca. Mas as chances de vivenciar situações desconfortáveis são grandes. Você pode estar fantasiada de juíza de futebol e algum engraçadinho pedir pênalti, ou ele pode sair por aí dançando “adocica” e alguma beldade se encantar pelo charme do Beto-Barbosa-Cover-de-Pochete. As possibilidades do carnaval terminar em briga e mal-humor são infinitas.

Por isso, viajar para alguma praia distante e passar a tarde jogando frescobol é mais recomendável. E isso resume muito bem a essência do “casamento”: disfrutar da companhia alheia, de preferência longe de muitos atrativos visuais do sexo oposto (ou do mesmo sexo), em lugar onde haja boa comida, bons lençois (ou uma linda vista que justifique acampar) e, claro, as raquetes de frescobol! Para os menos esportivos, cartas de baralho, livros de política e uma boa garrafa de vinho também valem. Não quero parecer irônica ou insinuar que o casamento é uma grande chatice. Pelo contrário, sei da beleza que existe nesta forma de relacionar-se. Até porque, já a vivenciei intensamente. Sei o que é compartilhar o silêncio e estar feliz pela simples presença de outra pessoa. Mas isso acontece - de forma genuína - apenas algumas vezes na vida. Se não só uma vez...

Por isso, enquanto esse momento não chega, casemos no bloco. Vale muito a pena! Sentir, ainda que por breves momentos, o aconchego do abraço, o olhar apaixonado, a leveza das  mãos dadas... Pode durar um minuto, mas quem disse que a intensidade de um sentimento se mede pela sua duração? O carnaval já passou, mas as grandes cidades como São Paulo oferecem alternativas o tempo todo!
E, acredite, se o “casar no bloco” for intenso o bastante, pode transcender a efemeridade e converter-se em amor eterno. Pelo menos enquanto dure, ou até o próximo carnaval!

Maíra Sanchez

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Valor de Ser Só

O bom de publicar ideias é receber respostas! Elas enriquecem, acrescentam e nos contam um pouco sobre o outro lado! Aqui vão algumas ideias de um solteiro de carteirinha! 
Meninas! Escutem com atenção e saquem suas próprias conclusões.


Olivia Mattos
                                                                                                                                                    

Adaptei originalmente de um texto recebido por email, para expôr, de maneira sincera, algo que é deliberadamente meu pensar. Um homem comum e sua busca.

"Andei pensando no valor de ser só. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas ou maridos para os outros. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família.

Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de não casar. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do “pode ou não pode”.

Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar não me priva do amor, eu o descubro de outros modos.

Tenho diante de mim a possibilidade de ser dos que precisam de minha presença. Na palavra que digo e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo.

Esta opção de vida não me foi imposta, ninguém me obrigou. Eu assumi livremente todas as possibilidades da minha solidão, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade.

Faço uso da minha sensibilidade, para tentar identificar, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha vida de solteiro.
Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em “propriedade privada”. Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas.

É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo. Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras, nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou o encontro frutuoso, o amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho.

É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer.

Pergunte-se sempre: – É de livre e espontânea vontade que o fazes? – É simples.

Ninguém está livre das obrigações do amor, mas a fidelidade a si próprio é o rosto mais sincero de nossas predileções."

ps. Ao perguntar se deveria referenciar o autor, uma amiga me disse: "de jeito nenhum... não revele o autor, pq as palavras são suas, que sairam da boca de outra pessoa, coisa mais doida."
                                                                                                                                                                              Peter Pão

terça-feira, 12 de abril de 2011

Quem tem azar é azarado, quem tem sorte é SORTERO!!!


Um leitor recém chegado pode achar que este blog é um lugar de apologias ao solteirismo e que eu, Olivia, devo abominar qualquer tipo de relacionamentos estáveis, mas uma leitura mais atenta provará que não é este o intuito. Posso resumir a proposta do blog como sendo um projeto pessoal, uma forma de me auto ajudar a não entrar em relacionamentos furados e se puder ajudar algumas amigas e amigos, missão mais que cumprida! 

Tenho exercitado a minha capacidade de dizer a verdade, principalmente nas horas mais difíceis. Por isso terei que admitir que este titulo não passa de uma pegadinha! É polemico e achei que daria ibope! Pior ainda! Foi re-plagiado de um amigo que, por sua vez, plagiou um autor não identificado! Não que esteja desconectado do conteúdo do texto, mas não vai exatamente pelo mesmo caminho. Feitas estas colocações, passarei para as advertências!

Primeira: para os que gostaram do titulo, tenho a infeliz noticia de que já atingiram com isso a sua cota de prazer por hoje. Por tanto, os que tomarem a decisão de seguir lendo considerem-se avisados para não dizerem por aí que faço propagando enganosa!

Segunda: os que acharam o título uma piada engraçadinha, mas de mal gosto, podem ficar tranqüilos que daqui para frente estarão mais satisfeitos com meus comentários. 

Terceira: este texto não é um recado para ninguém específico, mas se a carapuça servir...

Então, comecemos!

Na verdade acho que vincular a felicidade ou ideias de sorte ou azar, ao estado de disponibilidade (lembrem-se que abolimos no ultimo texto o conceito de estado civil) um grave equivoco. Inclusive, estou um pouco ranzinza hoje e vou dizer! Acho chatérrimas aquelas pessoas que acham que ter ou não ter par é determinante para estar de bem consigo mesmas! As situações clichês são: os homens levantando a bandeira da solteirice e as mulheres buscando suas almas-gemeas. Perdôo os dias de carência e domingos frios e chuvosos. Nesses dias, de fato, alguém ao lado é determinante para atingir graus mais altos de satisfação! E também perdôo a semana de carnaval porque estar solteira é, sem dúvida,  bem mais divertido!

Mas, em geral, acho que todas as formas em extremo são prejudiciais a saúde, ou de saúde (mental) prejudicada? Acho tão complicado como as pessoas que não tem a capacidade de estar só, aquelas pessoas que não são capazes de se entregar a um relacionamento. Hoje quero tocar um pouco neste último tema.

Bom, a esta altura vocês já devem ter percebido que discordo plenamente da frase do titulo e digo mais;
Desculpem, mas não acredito nos “solteiros convictos”! Conhecem? São essas pessoas que vão chegando numa certa idade e resolvem se auto intitular “solteiros por opção”. Parece um fenômeno esquisito, mas todo mundo tem um amigo, parente ou pior, um gatinho assim por perto.

Não sabem  ainda? Exemplos: são os que dizem, “oi, muito prazer. Me chamo fulano e, oh! Não tenho a intenção de namorar e muito menos de me casar!" E repetem: "nunca, viu?!" Caso você não tenha entendido na primeira… Aí resolvem comprar apartamento, de 1 quarto, claro! E se tem 2, resolvem rapidinho quebrar a parede para “ganhar mais espaço”, fazendo de tudo para garantir que nenhum, ou nenhuma sem-teto monte acampamento em sua propriedade. Um amigo meu até cogitou instalar uma banheira no meio da sala! Aí virou Motel, né?! Tomara que ele tenha desistido!

São pessoas com uma habilidade ímpar de conseguir estar acompanhadas e sozinhas ao mesmo tempo. Esbanjam em variedade e são extremamente carentes de recursos para construir uma parceria com alguém.

Podem falar com ímpeto, segurança, afirmar e reafirmar quantas vezes quiserem que são contra relacionamentos estáveis, mas tem algo nesse discurso que escapa. É como um discurso político que a maioria das vezes é vazio e mentiroso. Não digo mentira sem escrúpulos, mas aquela mentirinha por inércia, por inabilidade, insegurança e por sofrimento. Claro, seja antiga ou recente, é sempre a dor.

Consequência: eles jogam na defesa e o outro time parte para o ataque, mas difícil é sair gol nesta partida. É a lei da natureza, a balança afrouxa de um lado e acaba pesando para o outro! E são as mulheres que levaram a fama de estar caçando marido por aí! De pressioná-los, como se a mulher de hoje ainda fosse aquela criada e educada para dedicar-se ao lar! Ou a eles? Ai que preguiça!

Tenho a desconfiança de que nós, homens e mulheres, ainda não nos adaptamos ao novo modus operandi contemporâneo no que diz respeito a relacionamentos, mas acredito que a natureza, mesmo a humana, tende a buscar a harmonia e o equilíbrio. Talvez seja uma questão de tempo.


                                                                                                                                               Olivia Mattos

domingo, 13 de março de 2011

Categórica? Eu?

Ontem uma amiga me disse que tenho o hábito de categorizar as coisas. Fiquei pensando nisso e cheguei a uma conclusão e a uma “suspeita”: a conclusão é que essa minha forma de ver o mundo é uma maneira de orientação. É apenas um olhar que tenta ver as especificidades de cada situação e, consequentemente, gera definições ou, como disse ela, categorias. Bom…a suspeita é que eu devo realmente estar desorientada, porque tenho categorizado bastante o mundo!

Tenho tido algumas oportunidades (umas bem engraçadas, por sinal) de refletir sobre a definição de estado civil que assumimos como padrão e utilizamos no nosso dia-a-dia.

Por mim, essas definições deveriam ser abolidas ou, no mínimo, revisadas com carinho! Estou segura que elas não dão conta de explicar de uma forma fiel isso que chamam por aí de “estado civil”. E, por tanto, não geram informação suficiente para que, quem a receba, possa se orientar de forma satisfatória! É ainda mais grave! Além de não ajudarem, atrapalham!

Muito teórico? Hora do exemplo!

É assim, como em um jogo do xadrez. Existem dois adversários, um tabuleiro com peças e um objetivo que seria vencer o jogo. Cada peça que se move influencia totalmente a próxima peça a ser mexida. Por mais que existam jogadas e técnicas pré-estabelecidas, o que define a próxima jogada é a anterior praticada pelo adversário.

Ou seja, você (jogador 1) conhece a uma pessoa (jogador 2). Você acha esta pessoa interessante e parte para a investigação mais comum no mundo dos solteiros, que formalmente chamamos de “estado civil”. Você a observa, conversa com ela, adquire conhecimento e em pouco tempo pode concluir se ele/ela esta livre.  Pergunta aos amigos em comum, vasculha a vida da pessoa na internet, facebook, linked In, etc. Se está com a pessoa ao lado, procura a aliança e se já esta mais espertinha repara até na marca da aliança (ausente) no dedo! E, no caso do nosso exemplo,  o jogador 2 dá a entender que é casado…

Não vale para todos, mas pelo menos a minha tendência é evitar ao máximo envolvimentos com homens comprometidos (palavra altamente questionável) com outra mulher. Qual a consequência? 1. Conclui-se através do fato constatado que jogador 2 não está disponível. 2. Retira-se o time de campo e partimos para a próxima! O cara interessante foi riscado da lista!

E aqui chegamos onde eu queria chegar! Incoerências da vida a parte, mas tudo o que tenho visto por aí são casados DISPONÍVEIS e solteiros NÃO- DISPONÍVEIS!

Não me entendam mal! A discussão aqui não é sobre fidelidade! Estou contando sobre a minha percepção para melhorar a forma de entender e lidar com certas situações. Se eu houvesse pensado sobre isso antes, não teria sido tão frustrante conhecer aquele cara legal, super indicado por suas melhores amigas, inteligente, bem-sucedido e ainda solteiro (logo disponível)! Parece um milagre! E com o andamento da história, perceber que esta pessoa está fechada, trancada por dentro, não há possibilidade de entrega, pois existe uma barreira intransponível. Pode servir para um casinho passageiro (para viver uma “pré-história” como bem disse outra amiga), mas tive a certeza de que não construiria a vida, ou parte dela, ao lado desta pessoa. Ele, sem dúvida está solteiro, porém encontra-se longe de estar disponível.

Em contrapartida, os casados estão circulando por aí, sem aliança no dedo, com a maior liberdade para pedir o telefone da mulher bonita sentada ao lado no avião! Mas essa passagem merece um texto só para ela! Aguardem que é fantástica!

Por essas e outras gostaria de reeditar as categorias de estado civil que conhecemos hoje e dividir em apenas seres humanos “disponíveis” ou “não-disponíveis”! Acho que, além de mais simples é mais honesto e mais eficaz.

E que fique claro que isso diz respeito a uma atitude interna e não ao compromisso assumido com o outro ou com a sociedade! Estamos falando aqui de Lei x Desejo e de como a construção cultural requere, muitas vezes, uma renúncia pulsional, dura, porém necessária ao processo civilizatório. E que geram conflitos cotidianos que não podem ser entendidos em poucas palavras como solteiro, casado, divorciado ou citando o Facebook “em um relacionamento estável”!

Como forma de entender melhor os encontros e desencontros humanos tenho exercitado o meu olhar a dissociar as ideias de casado com não-disponível e solteiro com disponível. Vincular estas ideias funcionaria em mundo sem complexidade, sem ambiguidades, onde as pessoas poderiam, de fato, ser categorizadas. Porém serei obrigada a admitir que esse definitivamente não é o nosso!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um brinde carnavalesco!


Pela liberdade de ir e vir,
Pela tranquilidade pós-beijos,
Pela quantidade de conflitos evitados,
Pelas pessoas bacanas que conheci,
Pelos momentos compartilhados com os amigos queridos.

Brincadeiras e clichês a parte, é muito bom estar solteira no Carnaval!

E fica a dica: quem quiser se separar, mas não está sendo capaz dar o passo, é só ir para o Rio no Carnaval!! 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ontem conheci um “Macho Alpha”!

Ontem conheci um “Macho Alpha”!

Já faz um tempo que minha vida social virou matéria-prima para o blog! Ontem não foi diferente.

Tenho percebido que os homens têm um certo padrão de comportamento, e acredito que é possível criar algumas categorias no que diz respeito a modo de funcionamento mental, atitudes, ações e até tipo físico!
O Macho Alpha se destaca dos amigos, é o líder, tem força, habilidade para caça, facilidade para tomar atitudes e até certa bravura. Por outro lado, como a natureza já foi generosa com ele, acaba não desenvolvendo outras habilidades. Não é o mais bem-humorado, nem o mais sensível ou inteligente, e a conversa não costuma ser super interessante!
Pouco a pouco vou publicando as minhas conclusões sobre cada uma destas categorias e, quem sabe, chegarei a construir um verdadeiro glossário!

O “Pão com ovo” tem sido uma das minhas categorias preferidas!

                                                                                                                                         Olivia Mattos

Manual da solteirice

Vamos lá! Já que a idéia aqui é abandonar relações furadas, é bom estarem preparadas para o que possa vir pela frente!
Estou solteira há alguns meses e minha experiência me diz que chega de tudo um pouco. Digamos que seria uma amostra bem fiel da população! Seria como no inbox do meu email pessoal! Às vezes são boas notícias de pessoas queridas, às vezes uma notificação importante, coisas diversas do dia-a-dia e a maioria das vezes muito spam e lixo eletrônico!
Estar sozinha não é tão simples como parece. A inexperiência no campo da solteirice é jogo duro! Pode reparar: é sempre a recém solteira que fica agüentando aquele cara mala, quando todas as amigas (mais escoladas) foram saindo de fininho, uma por uma! Mas com o tempo fui adquirindo certa habilidade para lidar com estes “emails indesejados”. Depois de repetir algumas burradas seqüencialmente, pensei que se colocasse as regras no papel e grudasse no meu espelho, lembraria delas e poderia ter mais qualidade de vida.
Batizei de manual (mais pelo formato ou pelo hábito de linguagem), mas são referências, parâmetros onde me apoiar quando estiver perdida, sem saber como agir.
Então aqui vai. Compartilho com vocês um pouco da minha história! Minha vivência sintetizada, já mastigadinha e transformada em diretrizes!

Manual da solteirice

A regra é clara!

1.      Beijar ex-namorado é apelar.
2.      Na dúvida, não ligue e passe para o próximo! Se ele estivesse a fim já teria ligado!
Por isso que...
3.      Dois é pouco, três é bom, quatro é demais! Não canalize toda a sua energia num só alvo. Um amigo do mercado financeiro, o Lú, me disse que é sempre melhor negociar com outras opções na manga!
E falando de expectativas...
4.      Não se alimente de ilusões e de expectativas – nem todo cara é “O Cara”! Uma hora “Ele” até pode chegar, mas estatisticamente é bem pouco provável que seja neste exato momento.
Coisinhas para não se arrepender depois...
5.      Não sejamos ingênuas. Se o cara te chama para ir até a sua casa, é ISSO mesmo que ele quer! Não se iluda com nenhuma outra possibilidade! E se não quiser, não vá!
6.      Dormir junto não é o mesmo que acordar junto, e acordar na própria cama é sempre melhor.
7.      Não se transa com amigo. É uma coisa ou a outra! Mas eu ficaria com a amizade...
Comportamentos....
8.      Sobre essas cantadas do tipo “você tá linda!”, “seu cabelo, seu cheiro”, lembre-se que... “você conhece todos os truques masculinos de conquista, a final de contas, fomos nós mulheres que ensinamos a eles que isso funciona” (TOLEDO, 2011).
9.      Temos tempos diferentes. O desejo sexual do homem é onipresente, o da mulher é construído. Conheça e respeite o seu timing!
Vamos à luta camaradas!
10. As armas da mulher solteira: o olhar, o cérebro e, às vezes, um belo vestido.

E aí? Mais alguma dica?
                                                                                                                                      

                                                                                                                                      Olivia Mattos

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O divórcio vale a pena!


Antes de mais nada quero declarar neste texto que, sim, acredito no amor, acredito que podem existir relacionamentos sólidos, saudáveis e principalmente felizes! Mas muitas vezes (mas muitas mesmo!) essa não é a realidade dos casais.

Podería citar aqui infinitas razões pelas quais uma relação não funciona. Tem quem chame de química, quem diga que é por falta de maturidade, mas a verdade é que isso não importa! Foquemos na verdade (por mais dura que possa ser): não funciona e ponto!

Uma breve reflexão...

 Eu particularmente penso que nunca deveríamos dizer que um namoro não deu certo. Acredito que o namoro tem uma função clara de verificar na prática se duas pessoas (ou quantas vocês quiserem) são capazes de estabelecer um bom relacionamento, onde ambos tem seus benefícios, aprendem com o outro, evoluindo como ser humano e são capazes de compartilhar, na média, mais momentos bons que ruins, além de, obviamente garantir a perpetuação da espécie. Portanto, quando um namoro termina, quer dizer que cumpriu com méritos sua missão de provar a ambos que não nasceram um para o outro. Isso prova que este fato, motivo de taaantas lágrimas, deveria ser um momento de celebração!

Poderia seguir refletindo sobre os motivos pelos quais fantasiamos que uma relação deve ser eterna, culpabilizar a Igreja Católica, etc. Mas estes e outros pontos serão temas de discussão dos próximos textos. Este aqui é apenas uma introdução do que exatamente se quer construir neste espaço.

Gostaria de mostrar o outro lado da separação, termo que geralmente associamos a parte negativa do processo. Não digo que separar, ou divorciar seja fácil nem prazeroso, mas é verdade que existem muitos benefícios quando abandonamos uma relação que não tem futuro!

Se ainda está dificil saber se este é um espaço para você vou dar umas dicas. Você pode se beneficiar desta discussão se:
  • ·      Se todo mundo fica feliz quando você diz que se separou e mesmo assim acaba voltando!
  • ·      Se você é a única pessoa que pensa que seu relacionamento vale a pena, mas tem algo lá no fundo te dizendo que não é bem assim
  • ·      Quando já houveram, num curto ou curtíssimo período de tempo, varias tentativas frustradas de separar
  • ·      Se você já se viu discutindo com seu parceiro em plena rua e era maior a vontade de acabar com ele/a do que a vergonha pelo papelão que estava dando
  • ·      Se você acha que conseguir as senhas de email e caixa postal do outro é uma vitória    
  • ·      Se mantém uma relação mais por pena ou comodismo do que por gostar do outro
  • ·      Quando a balança pesa mais para o lado do desprazer que do prazer 


Amigos, acreditem! As relações tem vida própria, começam quando querem e também terminam quando querem! Cabe a nós ver, ou não, ver quando isso ocorre!



Este é um lugar para discutir, refletir e analisar distintas possibilidades para sair dessas enrascadas da vida. Vou tentar mostrar que o mundo não vai acabar quando você se separa, que existem formas melhores ou piores de fazer, com mais ou menos respeito ao outro e que causam maior ou menor dano ao seu parceiro! E claro, que existem muitas pessoas por aí passando pela mesma situação neste mesmo momento, o que transforma o processo sofrido de separação em uma aventura que pode até ser divertida!

 Bem-vindos e até logo!