Ela dormia.
Até que foi despertada pela manhã. Mais precisamente pelos primeiros raios de sol, que se espremiam pela pequena fresta da janela, propositalmente esquecida aberta.
Ainda não se podia prever o poder do brilho e da luz ainda branca, ainda de pouca intensidade, que invadiam todo quarto.
As mudanças eram imediatas e autoritárias. Sem consultar ninguém, ao passar de um segundo, a noite virou dia e já não havia volta atrás.
E em poucos minutos os raios perigosamente ganhavam calor. O que ofuscava os olhos agora acariciava a pele com um toque morno e suave.
O despertar foi completo. Os cinco sentidos curiosamente investigavam o mundo. O brilho iluminava os olhos, o calor no corpo, o cheiro da manhã que era a química perfeita entre frescor e café, e que num vacilo da racionalidade ou talvez alucinação, traziam gosto à boca. Sim, era uma alucinação, pois em sua mente também havia música.
O sol, poderoso, continuava lá fora, mas seu acordo era com o tempo, que implacável, não parava de correr. Água que escorre por entre os dedos.
O prazer dá boas-vindas a angústia e a memória lhe trai. Já não é capaz de lembrar-se ou compreender em que momento se entregou.
Entre o sonho e a realidade, ela sai da cama a procura de algo que já não sabe bem o que é.
Olivia Mattos
a energia cosmica do amor está pairando sobre nossas cabeças....
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