Querida Maíra, obrigada pela contribuição!
Percebo que, pouco a pouco, estamos conseguindo criar aqui um lugar de múltiplos olhares sobre o assunto...essa era mesmo a ideia!
Aproveitem a leitura!
Olivia Mattos
Casar no bloco talvez seja a modalidade de relacionamento mais adequada aos tempos pós-modernos. Pressupõe total liberdade aliada a abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim, mas, sobretudo, a uma pretensa identificação. A tal ponto de você achar, por breves instantes, que encontrou o amor da sua vida, a tampa da sua panela, a metade da sua laranja, enfim, todas essas baboseiras que depositam no outro aquilo que você acha que não tem.
Normalmente, a pessoa escolhida exibe, rapidamente, características suficientes para ser “a escolhida” entre a pluralidade de ofertas encontradas no bloco. Vocês podem viver um momento mágico, intenso, especial. No entanto, se ele, ou ela, não pedir o seu telefone, ou não ligar - ainda que tenha anotado o número - não se preocupe. Casar no bloco exige total entrega e nenhuma cobrança. A máxima “dar sem esperar nada em troca” ganha todo sentido e, se a pessoa não te procurou, não vale começar uma busca desesperada no facebook. Até porque você pode se deparar com informações desagradáveis, como descobrir que ela é casada, mora em Londres ou tem interesses e opiniões totalmente distintos dos seus. E se for homofóbico ou votar naquele político deplorável? Já pensou?
Portanto, às vezes é melhor eternizar o instante em que você acreditou ter encontrado o amor dos seus sonhos; sem cobranças, nem expectativas.
A combinação de dois conceitos aparentemente antagônicos explica porque “casar no bloco” pode ser tão saudável e inovador. “Bloco” remete ao carnaval, à aglomeração de algumas pessoas, embaladas pela música, algumas vezes pelo álcool e, quase sempre, pelo descompromisso. Isso não impede que casais tradicionais (aqueles da igreja, do véu e da grinalda) aproveitem igualmente a euforia carnavalesca. Mas as chances de vivenciar situações desconfortáveis são grandes. Você pode estar fantasiada de juíza de futebol e algum engraçadinho pedir pênalti, ou ele pode sair por aí dançando “adocica” e alguma beldade se encantar pelo charme do Beto-Barbosa-Cover-de-Pochete. As possibilidades do carnaval terminar em briga e mal-humor são infinitas.
Por isso, viajar para alguma praia distante e passar a tarde jogando frescobol é mais recomendável. E isso resume muito bem a essência do “casamento”: disfrutar da companhia alheia, de preferência longe de muitos atrativos visuais do sexo oposto (ou do mesmo sexo), em lugar onde haja boa comida, bons lençois (ou uma linda vista que justifique acampar) e, claro, as raquetes de frescobol! Para os menos esportivos, cartas de baralho, livros de política e uma boa garrafa de vinho também valem. Não quero parecer irônica ou insinuar que o casamento é uma grande chatice. Pelo contrário, sei da beleza que existe nesta forma de relacionar-se. Até porque, já a vivenciei intensamente. Sei o que é compartilhar o silêncio e estar feliz pela simples presença de outra pessoa. Mas isso acontece - de forma genuína - apenas algumas vezes na vida. Se não só uma vez...
Por isso, enquanto esse momento não chega, casemos no bloco. Vale muito a pena! Sentir, ainda que por breves momentos, o aconchego do abraço, o olhar apaixonado, a leveza das mãos dadas... Pode durar um minuto, mas quem disse que a intensidade de um sentimento se mede pela sua duração? O carnaval já passou, mas as grandes cidades como São Paulo oferecem alternativas o tempo todo!
E, acredite, se o “casar no bloco” for intenso o bastante, pode transcender a efemeridade e converter-se em amor eterno. Pelo menos enquanto dure, ou até o próximo carnaval!
Maíra Sanchez
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